21-06-2009

Parabéns para você

video

11-06-2009

Qual o seu referencial teórico?

Estou no computador eis que chega um email de meu orientador. Poucas e enfáticas linhas: Amanhã é a sua defesa.

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Uma prancheta de madeira na mão, parcas folhas presas, algumas totalmente em branco e um suor gelado na nuca. Avisto uma marquise. Embaixo, crianças andando de bicicleta, patinadores e uma mesinha de madeira com meus 3 avaliadores me esperando.

Começo a falar, ou melhor, a tentar falar. As palavras saem pastosas, reticentes. Não tenho o que dizer. Os professores da banca se entreolham, sabem que estou enrolando.

Cachorros entram embaixo da marquise, as crianças se engalfinham com eles. A banca pede um intervalo.

Volto e já disparam: qual o seu refencial teórico? Não sei! Não sei mesmo. Não lembro de 1 simples nome, uma teoria, nada.

01-06-2009

Desenho velho

05-05-2009

Mais um texto velho

Alice


Nunca mais

Um dia, Alice foi acordada de supetão. Algo a assustou. Um homem negro, de mantos encardidos e olhos profundamente castanhos foi o que lhe pareceu ser. Talvez não fosse bem isso. Ela estava sonolenta e a criatura retirou-se muito rapidamente.
Como foi acordada, Alice não pôde lembrar-se. Sabia que foi despertada com alguma fúria. Seria um grito, um cutucão? O que seria?
Com o coração batendo em ritmo desesperado, Alice levantou-se da cama. Onde ela estava? De quem seria aquele quarto? A iluminação fraca mostrava uns poucos móveis de madeira, uma janela semi-aberta, muitas caixas espalhadas pelo chão e um objeto alto, esguio e com pontas: parecia um mancebo de pendurar roupas.
Esquecendo-se da situação estranha, caminhou em direção da janela e olhou para fora. A vista mostrava apenas um prédio velho, bem próximo ao que ela estava, com um apartamento de janela semi-aberta. Ficou observando.
Do outro lado, uma garota levantou e caminhou em direção à janela. Abriu-a e olhou para frente. Encarou Alice e sorriu.

Alice não estava gostando da situação. Afinal, que raio de lugar era aquele?! Não retribuiu o sorriso e fechou a janela. Grande erro. Agora, o quarto estava completamente escuro. Começou a tatear o ar para procurar a parede. Queria encontrar um interruptor de luz. Não conseguia caminhar sem tropeçar nas caixas. Um grande barulho fez-se ouvir. Derrubou o que lhe pareceu ser o mancebo.
Muito irritada, Alice resolveu andar de gatinhas. Estava com medo de se machucar. O quarto, pelo que se lembrava, era pequeno. Mas de jeito nenhum achava a parede. E porta? Ela não tinha reparado se havia uma porta. Mas devia haver, claro. Como então ela entrara ali?

Sentou e começou a chorar. Alice estava desprotegida, no escuro, perdida e sem roupas (meu Deus, estou sem roupas! Por isso a garota riu de mim!). Não tinha mais ânimo para procurar a luz, tampouco pensava em reabrir a janela. Queria só ficar ali, encolhida e chorando.

Horas e mais horas passaram-se e Alice voltou a dormir. Aninhou-se entre as caixas e esqueceu-se de todo o horror.
Na escuridão de seus sonhos, sentia-se protegida. O sonhar era um lugar quente, aconchegante. Alice não reproduzia imagens em sua mente, como nas cabeças adormecidas comuns. Seu sonho era um nada, apenas um macio e reconfortante lugar. Ela não corria, não voava e não matava monstros. Apenas ficava quieta e segura.
Alice conseguia dormir horas ininterruptas: 12, 14, 16 ou até mesmo 24 horas, sem acordar para nada. Fazia suas necessidades como uma sonâmbula e a fome era mais um estímulo ao sono.

De repente, uma mão aproximou-se do seu pescoço. Alice sentiu um tecido encobrir seu corpo. O tecido era macio e foi reconfortante a sensação que ele proporcionou ao entrar em contato com a pele nua e arrepiada. Como uma criança no colo seguro da mãe, Alice embarcou em um sono mais profundo.

Sem saber quanto tempo havia dormido e com a escuridão a impedir que se soubesse determinar se era dia ou noite, Alice despertou mais segura. O tecido era um vestido e ela o colocou. Precisava refletir, achar alguma solução para escapar daquele lugar. Voltar para abrir a janela, nem pensar. Não se humilharia. Também não sabia como iria encontrar o interruptor. Era muito maluco, mas Alice tinha a sensação que aquele quarto realmente não possuía paredes. A saída só poderia estar mesmo no chão.
E foi com essa intuição que achou um buraco no meio da bagunça em que estava.

O buraco era pequeno, mas Alice também era e podia passar por ele sem nenhuma dificuldade.
Foi, aos poucos, entrando no buraco: primeiro uma perna, depois outra, passou o corpo até ficar segura apenas pelas mãos. Pronto! E agora? Suas mãos cansariam e ela nunca foi boa em flexões. Não teria forças para se reerguer.
A sua mania de não parar para pensar nas conseqüências já tinha lhe deixado no escuro. Agora que estava na iminência de cair, lembrou que não havia imaginado a profundidade do buraco. Esqueceu-se que estava em um quarto de apartamento e, logo, haveria mais andares.

Dane-se. A situação era toda ridícula mesmo. E poderia acontecer o mesmo que com a Alice do País das Maravilhas. Até o nome era igual! A diferença é que coelhos não a interessavam. Jogou-se ao ar. Não iria mesmo conseguir manter-se naquela posição, tampouco poderia voltar.
Mal começou a cair, atingiu o chão. De pronto, pôs-se em pé e começou a correr. Corria, corria e corria mais. Atravessando milharais, plantações de laranja, montanhas verdejantes, desertos, pulando rios e pedras, sem se cansar. Queria se afastar de tudo, das pessoas, do medo, da solidão, da violência, do egoísmo... “Nunca mais!”, dizia chorando.

03-05-2009















Em homenagem ao Tistu - corinthiano lejano...

30-04-2009

It this real life?

Luzinhas piscantes caminham em minha direção: pisc, pisc, toc, toc. Acende, apaga, acende, apaga, um pé, outro pé. Pisc, pisc, toc, toc.

Pesadelos sonâmbulos...

24-04-2009

Jussara

Jussara era uma criança séria, com expressões adultas de sobrancelhas franzidas como quem interroga o mundo. Suas sobrancelhas cobriam boa parte de seu rosto e sombreavam seus olhos. Um leve brilho, no entanto, sobressaía-se dessa escuridão. Sobrancelhas sombrias. Pupilas luzidias.

Era adotada. Filha biológica de japonês com portuguesa. Uma luso-nipônica rebentada no Brasil. Não sabia explicar quem era porque era muito diferente, mas sabia quem era e isso por si só não fazia vantagem alguma. Saber quem se é não sossega a alma, só a complica. Inda mais quando não há palavras ou desenhos que possam facilitar o entendimento dos outros. Não há didática criada pelo homem que dê conta de ensinar às pessoas do que é feito gente – e principalmente gente como Jussara.
As pessoas não entendiam essa criança adulta e ela não conseguia explicar-se.

Brincava, jogava, fazia de conta como uma criança qualquer advinda de vida boa. Não eram problemas financeiros, físicos, de criação ou grandes traumas que a modelaram tão estranha. Era um mecanismo de concatenação, um desvio de pensamentos que derivavam a menor sacudidela dos mares do cotidiano.
As cores de sua imaginação navegadora assustavam àqueles que apenas caminhavam na areia escaldante.

Quando cresceu, Jussara virou Gerusa. Virou uma adulta infantil. Ainda adotada, ainda estranha. Suas sobrancelhas foram depenadas até virarem um simples arco interrogativo. Seus olhos não se apagaram.

Sua imaginação ainda deriva. Tristemente é um barco ancorado que não vai à terra nem desbrava o mar. Um barco sem função, à mercê de marolas e ventinhos.

Texto antigo achado sem querer

Não sei viver o presente

A alegria nem sempre vem na forma de um sorriso, de pulinhos ou de palminhas de entusiasmo. Se ela for grande, pode fazer a cara fechar, a testa franzir e o estômago revirar. Ainda assim é alegria.

Alegria com medo. Medo de perder aquilo que se conquistou a tão duras penas. Medo só de pensar que um dia tudo pode acabar, que a alegria foi passageira. Se eu perder, como farei com a minha decepção? Com a lembrança da sensação?

O medo do futuro incerto reduz a acanhadas comemorações.

Dá medo construir, sonhar, querer. Dá medo investir em relações amorosas, profissionais ou mesmo materiais. A vida é cambiante, as pessoas são herméticas e os bens voláteis.

Ainda assim estou alegre.

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É engraçado pensar que estou publicando um texto velho que fala sobre viver no presente.

06-04-2009

Já sei o que me agonia

Estou um pouco maluca, devo admitir. Crises de estagnação, frio na barriga, boca amarga.

Pensei que era TPM mas fiz um exame de consciência e descobri que é TPD: tensão pré doutorado! Meu deus, preciso terminar neste ano, nem qualifiquei ainda e não sai uma linha sequer de texto, nada, nadica, lhufas, necas de pitibiriba.

Vou tomar uma atitude radical, estabelecer horários fixos de estudo, prazos e metas consistentes. Chega, porque assim só fico agoniada e cada vez mais agoniada (pobres dos que me cercam).

Atitude agora!

E um pouco de fé que não atrapalha ninguém:

"Nossa Srª. Destrancadora das Teses, em ti confiamos para a proteção contra o Exu Tranca Tese, nos proteja de: Queimação de pen drive; bibliografia em alemão; visita fora de hora; linha no word que não sobe com 'del'; fotocopiadora quebrada. Dá-me: encontros com o orientador no corredor da Universidade e livro emprestado com data de devolução pra 2050.
Ah, senhora, livra-me também das perguntas indiscretas, das dúvidas fora de hora, e das certezas idem. Ajuda-me a lembrar dos nomes dos autores e da pronúncia deles, assim como do modo como se faz notação de revistas.
Nossa Senhora, livre-me de pensamentos acerca de minha tese durante meu sono.
Que eu possa dormir o sono dos justos impunemente, sem que eu tenha que me
levantar ou acender a luz para anotar insights invasivos que detonam minha
mente quando preciso descansar para mais um dia de batalha! Que tais
pensamentos venham na hora certa, quando me sento diante de meu mac e eu não me
torne um zumbi.
Ó Senhora, desperta no meu orientador uma enorme vontade de ler minha tese. Que ele a leia com olhos vigilantes, para não deixar passar nenhuma monstruosidade, mas também com olhos piedosos, para me deixar ir enfrentar a banca. E que a banca, Senhora, me dê os apertos que achar necessários, mas que ao final assine a poderosa ata, redenção final dos meus inúmeros pecados.

Nossa Senhora, meu orientador insiste em dizer que a minha tese está, entre aspas, uma *****, mas eu sinto que a Senhora vai me dar um luz bem forte e lançar como de um passe de mágica, artigos que abram meu cérebro tão debilitado por tamanha pressão.

Minha Santa querida, já que eu fiz esta escolha na minha vida e sinto na obrigação de terminar, me dá forças para não matar um!

AMÉM!!'"

P.S.: encontrei essa oração no yahoo respostas

01-04-2009

Adeus, mundo cruel

Vou deletar este blog, cansei dele.

Só queria saber se dá para fazer algum backup dos textos, alguém sabe?